Camaleão polêmico
Quando foi inaugurada há mais de dois anos aqui em Vitória, a Forneria Don Camaleone, na Praia do Canto, causou um verdadeiro frisson entre os consumidores capixabas por sua proposta inovadora: ambiente com decoração descolada, comida de qualidade e atendimento de alto nível. Era a primeira vez que se ouvia dizer que um restaurante se preocupava com o padrão de atendimento do seu staff. Falava-se que todos os garçons da Don Camaleone foram trazidos de São Paulo e que eram universitários e bilíngües. Em outras palavras: um antídoto perfeito para o nosso PAC!
Não tardou para que a fórmula escolhida pelos donos rendesse bons frutos: a Don Camaleone logo se tornou a pizzaria mais “badalada” da cidade. Seu sucesso foi tão vigoroso que venceu até mesmo a vis attractiva exercida pelo tradicional centro gastronômico da Praia do Canto: o Triângulo das Bermudas. Diz-se até que, ali, no entorno da Don Camaleone, está nascendo um novo Triângulo.
Minha tese: o sucesso da Don Camaleone tem muito a ver com o seu jeito cool. Mas porque cool? Por duas coisas, basicamente.
A primeira tem a ver com o que eu disse acima: os universitários bilíngües que trabalham ali de garçom gostam de exibir seus estilos particulares para os clientes. Uns usam rastafari, outros chinelo; uns são descolados, outros discretos; uns são bem falantes e outros extremamente educados. Mas todos eles, independente de suas diferentes personalidades, desfilam um olhar cool. Um olhar de quem esconde experiências fantásticas e uma personalidade aparentemente bem-resolvida e equilibrada!
Aliás, os garçons da Don Camaleone poderiam muito bem ser usados como cobaias numa análise antropológica da juventude pós-moderna. Digo, da juventude pós-moderna economicamente abastada. Digo mais, da juventude pós-moderna economicamente abastada que mora na Praia do Canto. Pronto, falei!
A segunda coisa é a decoração da Forneria. Por trás do design contemporâneo do lugar há uma inspiração cool: a arte. Para começar, o painel multicolorido que serve de luminária afixado bem no meio do teto foi aparentemente inspirado na obra do artista holandês Piet Mondrian. Depois, as paredes foram pintadas com tinta a óleo, dando a impressão de estarem mal-acabadas, como num ateliê, digamos assim. E, por fim, não é raro encontrar postais com propaganda de exposições artísticas sobre as mesas.
Agora fala sério: tem bairro mais assumidamente cool em Vitória do que a Praia do Canto???? Então taí a conclusão da minha tese.
Mas, voltando ao que interessa, a Don Camaleone traz a combinação perfeita entre comida de qualidade e descontração, aliada ao profissionalismo de um staff bastante descolado e atraente. Junte isso à música eletrônica ambiente e ao balcão de drinques e pronto: você tem quase uma pizzaria em forma de bar lounge!
Na minha última visita, com um grupo de amigos, optamos pelo item mais óbvio do cardápio: pizza. Do tipo italiana, a massa é fininha e com bastante queijo. Os preços variam entre R$35,00 e R$50,00 (pizza grande, com 8 pedaços). A minha preferida é a malthe, feita à base de mussarela, presunto de parma cru e lascas de queijo parmesão (R$48,00).
Mas a pizza não é a única protagonista do cardápio. A casa serve também pratos bem elaborados de massa e carne. No horário do almoço, há ainda opções de prato executivo a preços menores.
Para beber, há uma extensa oferta de drinques preparados pelo barman Rodrigo Perdigão Romário (PG). Na primeira vez em que fui à pizzaria, chamou-me a atenção o pisco sour – a famosa bebida peruana/chilena que eu não havia encontrado em nenhum outro lugar de Vitória. Só não gostei da forma como ela me foi servida: em uma taça afunilada, sem a espuminha da clara de ovo e com uma essência de angostura!!!
Já estou quase no final desse post e você pode ainda não ter entendido o porquê do título “Camaleão polêmico”. Tudo bem, eu explico. É que, recentemente, a Don Camaleone se viu envolvida numa grande polêmica. Ela está sendo processada por uma famosa pizzaria italiana – a Piola – por plágio! Segundo o representante brasileiro da marca, a Don Camaleone copiou quase tudo deles: desde a decoração, incluindo a alusão ao artista holandês Mondrain, até o cardápio (veja aqui). E o pior é que um dos sócios da Don Camaleone, Ricardo Weiser, foi gerente do Piola em São Paulo por dez anos.
O caso ainda está sob análise da Justiça. Mas, se você quiser formar a sua própria opinião, dá uma olhadinha aqui. Vai ou não vai ser uma briga boa?
Informações úteis:
Pizzaria e Forneria Don Camaleone
Endereço: Rua Desembargador Sampaio, 263, Praia do Canto, Vitória-ES.
Tel.: (27) 3225-2995
Nível de contaminação pelo PAC: totalmente erradicado!
Tiago, gargalhei aqui com a sua proposta de análise antropológica da juventude pós-moderna!!!
Confesso: depois desse babado todo, eu fiz questão de conhecer o Piola e olha, a briga é boa!! Rs
Mas o Don realmente tem o atendimento muito bom, e comida excelente! O prato executivo Tilápia Thielle é fantástico, e nenhuma pizza vence a Roperi (calabresa, pimenta calabresa e catupiry).
Carlinha, mesmo sem conhecer o Piola pessoalmente, eu fiquei assustado com a semelhança dos dois!
Quanto à Roperi, sei não hein??? Pimenta em pizza não é minha praia… rsrsrs
Agora, fala que a análise que eu sugeri não seria bastante reveladora? ehehehe
Se é plágio ou não o don camaleone é a melhor pizzaria da ilha!
E posso indicar a foccacia ao pesto deles que é perfeita!
Bem lembrado, Bolzani. A foccacia é uma ótima entrada!
Bom, vou escrever somente para constar aqui sobre o Pisco Sour do Don Camaleone. A preocupação lá foi prepará-lo da forma mais honesta possível ao original e as únicas erratas, vamos dizer assim, é onde ele é servido e a clara de ovos. O correto seria servir-lo em um copo old fashioned pequeno e a não utilização da clara de ovos vem da preocupação com a salmonela. Não trabalho mais no Don, infelizmente, mas quando ainda estava lá e era indagado sobre a espuminha explicava o motivo e deixava claro ao cliente que se preferisse o Pisco Sour iria com ela sim. Mas por conta e risco do cliente. Enquanto a Angostura peço desculpas pois realmente foi um equívoco da minha parte. Fora tudo isso…ahahaha…a matéria ficou ótima e o restaurante realmente é muito bom sim. Abraços.
Opa, Rodrigo, legal você vir aqui explicar sobre o pisco! Agradeço a sua consideração!
E essa preocupação com a salmonela realmente é válida. Não tinha pensado por esse lado…
Agora, tem muito tempo que vc saiu da Don? Porque, na pesquisa que eu fiz para confirmar se vc ainda era o barman, encontrei uma matéria de janeiro desse ano no Jornal A Gazeta fazendo essa referência!!!!
De qualquer forma, vou corrigir no texto assim que confirmar o nome do novo barman…
Mas você ainda trabalha como barman em outro lugar?? Diz aí pra gente!
Valeu pela visita!
Tiago, vc é o máximo!!! rsrs Adoro seus posts!
Estive na Don Cameleone três vezes. As três comemorando aniversários de amigos e concordo em gênero, número e grau: A casa é um “espetáculo”!
Bjs
Chris, não conta pra ninguém que você é minha sogra, não hein?
Assim o seu elogio vai ter mais crédito!!! rsrsrsrs brincadeirinha…
Vê se aparece mais vezes. Você andava muito sumida do “Rotas”!
Bjão
quanto a comparaçao com a massa italiana um dia vou verificar, de fato, ela é fina. Mas dizer que a pizza italiana tem muito queijo é uma inverdade. Pronto, falei.
Ora, ora, visita ilustre no “Rotas”! Quanta honra, padre!!!!
Acho que tenho que ir na Itália para ver se a pizza italiana realmente não tem muito queijo!! Você me recebe aí, Anderson? kkkkkkk
Mas, falando sério agora, isso é o que eu ouço sobre a composição básica da pizza italiana: massa fina e queijo. E pouco molho, em relação à pizza americana, que é molhada!! Por isso eu falei que a pizza da Don é “do tipo” italiana, por conta da massa, da base de queijo e por não ter molho. Mas, talvez, ela tenha mais queijo que a italiana de verdade mesmo. Coisa de brasileiro, sabe?
E eu aqui em Cachoeiro, com vontade de estar aí para conhecer!!!
Abraços
Oi, Tia Maria, da próxima vez obriga a Silvinha a te levar!
Tenho certeza que vai gostar!
Obrigado pela visita!
Inclusive Tiago o chefe de bar lá agora é o que está na foto. Muito bom e ele tem uma performance de working flair maravilhosa. Romário PG é o nome dele. Um orgulho que tenho pois é minha cria, ótima pessoa.
Conheço o Dom Camaleone, assim com conheço muito bem o Piola em São Paulo. A semelhança de fato é notória , mas acredito que uma casa não se mantém só por ter uma aparência. Atendimento, boa comida, produtos de qualidade, localização e uma boia dose de sorte e simpatia para atender os clientes se faz fundamental, por isso creio que o Dom Camaleone sobrevive. Não somente por ter uma semelhança ao Piola, mas também por agregar diversos outros fatores. Sem contar que o público do Piola é GLS. Portanto, boa sorte ao Dom.